segunda-feira, 14 de abril de 2014

Surdocegueira e DMU
Quando tratamos de surdocegueira, não consideramos apenas a falta de visão e de audição, mas uma série de outras dificuldades. caso seja congênita ou adquirida muito cedo, ela pode apresentar outras deficiências associadas como física ou motora. Já a deficiência múltipla apresenta mais de uma deficiência associadas, o que gera uma variedade de grupos com diferentes associações de deficiências.

Algumas vezes a pessoa com surdocegueira apresenta uma lentidão em seu aprendizado, não por conta de incapacidade dela, mas sim porque os ambientes não são planejados e organizados para eles ou também pela falta de recursos de comunicação para responder ao ambiente. Além disso, é importante que a comunicação seja muito bem trabalhada na infância a fim de evitar que tenhamos adultos com problemas em se comunicar.
Segundo a autora Profª Dra. Shirley Rodrigues Maia "Na deficiência Múltipla não garantimos que todas as informações muitas vezes chegam para a pessoa de forma fidedigna, mas ela sempre terá o apoio de um dos canais distantes (visão ou audição) como ponto de referência", o que não acontece na surdocegueira, o que caracteriza mais um ponto distinto entre as duas.
Tanto para a surdocegueira quanto para a deficiência múltipla é muito importante favorecer o desenvolvimento corporal, buscando sua verticalidade, o equilíbrio postural, a articulação e a harmonização de seus movimentos, a autonomia em deslocamentos e movimentos, o aperfeiçoamento das coordenações viso motora, motora global e fina e o desenvolvimento da força muscular, pois tudo isso irá favorecer sua interação com o mundo.
Também se faz necessário estimular a interação com o meio ambiente e disponibilizar recursos para favorecer a aquisição da linguagem estruturada verbal ou gestual.
Para ambas, é muito importante trabalhar a comunicação dividida em duas formas: a Receptiva e a Expressiva. A primeira caracteriza-se pelo recebimento e processamento de determinada informação, de forma equivalente ao que a pessoa que envia a mensagem esteja querendo transmitir, seja via LIBRAS, linguagem escrita, figuras. A segunda, precisa de um mediador, alguém que passa a informação por figuras, gestos, movimentos, e outras várias formas.
A comunicação das pessoas com surdocegueira passa pelo trabalho que envolve  a antecipação das atividades que irão acontecer, a estimulação da comunicação e exploração do ambiente, interpretação do que está ocorrendo e constante comunicação das ações. A comunicação das pessoas com DM ocorre mediante o estabelecimento de códigos comunicativos entre o DM e o receptor, bem como pela utilização de diversos símbolos, por isso é importante considerar qualquer comportamento como sendo uma possível tentativa de comunicação.
Outras estratégias para estabelecer a comunicação nesses casos são os objetos de referência, que servem para associar objetos concretos a ações, conceitos, lugares, pessoas. Sendo indispensável para o bom funcionamento dessa prática realizar a desnaturalização dos objetos, ou seja desligá-lo do seu conceito real, usual, e relacioná-lo ao conceito que se deseja trabalhar.

Referências
BOSCO, Ismênia C. M. G.; MESQUITA, Sandra R. S. H.; MAIA. Shirley R. Coletânea UFC – MEC/2010: A Educação Especial na Perspectiva da Inclusão Escolar – Fascículo 05: Surdocegueira e Deficiência Múltipla.
BLAHA, Robbie. Calendários – Para Alunos com Múltiplas Deficiência Incluindo Surdocegueira. Escola Texas para cegos e com baixa visão – 2003. Tradução em 2005 – Projeto Horizonte. Tradução: Marcia Maurilio Souza. Revisão: Shirley Rodriguês Maia e Lília Giacimini
MAIA, Shirley Rodrigues de. Aspectos importantes para saber sobre Surdocegueira e Deficiência Múltipla. São Paulo, 2011.
NASCIMENTO, Fátima Ali Abdalah Abdel Cader; COSTA, Maria da Piedade Resende. Descobrindo a Surdocegueira – Educação e Comunicação. EduFSCar, São Carlos, 2005.
ROWLAND, Charity; SCHWEIGERT, Philip. Soluções Tangíveis para indivíduos com Deficiência Múltipla e ou com Surdocegueira. Apostila In mimeo. Tradução Acess. Revisão: Shirley R. Maia, 2013.

2 comentários:

  1. Bem suscinto o texto, mas sem perder a essência da abordagem em estudo.[]

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  2. Oi Vanessa, achei importante sua descrição, quando a gente lê o texto de outra colega é que a percebemos o quanto a atividade de postar e analisar contribui para a aprendizagem. Parabéns!

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