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| A imagem representa um rosto masculino sendo formado por peças de um quebra-cabeça. |
Ao
iniciar um ano letivo, nós professores, principalmente em começo de carreira,
imaginamos que teremos uma turma com determinado número de alunos, com
determinada faixa etária e que estão matriculados e enquadrados em uma
determinada série. Pensamos assim, para facilitar nosso planejamento, para
padronizar a realização de atividades e o desenvolvimento dos conteúdos, vislumbramos a homogeneidade quando
na verdade deveríamos traçar expectativas para a heterogeneidade. Pois
bem, ao conhecermos de perto nosso público alvo, percebemos que a turma passa a
ser composta de crianças com diferentes feições, reações, intenções,
limitações. Percebemos que não estamos lidando com uma turma padronizada, ou
com modelos pensados ou criados por nós ou pela sociedade. O problema não está
em despertar para as individualidades, não. O perigo surge quando começamos a
olhar para determinadas limitações
ou peculiaridades como se elas, por si só, representassem aquela pessoa.
O perigo está em olhar para a parte, sem antes compreender o todo.
Quando
nos dispomos a educar, precisamos aceitar os sujeitos e suas subjetividades,
suas deficiências e suas potencialidades, suas qualidades e seus defeitos. Se recebemos
um aluno cego, por exemplo, antes de tudo, é imprescindível olharmos para aquele
ser humano como uma pessoa que vive em uma sociedade, que possui uma família e
amigos, que estuda numa instituição e que tem desejos e sonhos. A partir desse
reconhecimento, podemos iniciar nosso trabalho educativo levando em
consideração a sua cegueira.
O
ser humano, infelizmente, gosta de se sentir melhor que os outros ao seu redor
apontando suas incapacidades. Muitas vezes, apontamos os defeitos dos outros
para nos sentir normais com nossas falhas. Dificilmente destacamos as
qualidades das pessoas. Porque
apontar o que o outro não pode fazer, antes de perguntar o que ele tem a
oferecer? Porque temos que ser assim?
O
trabalho com inclusão, principalmente no Atendimento Educacional Especializado,
exige uma postura que não pode seguir essa linha. Nosso pensamento deve ser
justamente o oposto. A família, a comunidade e o próprio aluno já sabem qual a sua
limitação, então uma de nossas funções é fazer com que todos eles percebam as
potencialidades e qualidades dele. Isso muda a visão da sociedade e do próprio
aluno para com ele.
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| A imagem representa uma peça de quebra-cabeça rosa sendo encaixada nas demais de cor roxa, porém de forma correta. |
É
preciso apagar de nossas mentes os modelos idealizados que compõem nossas
expectativas. Abrir mão de vislumbrar “alunos perfeitos” e aceitarmos que somos
seres singulares, compondo um “todo” heterogêneo. E que essa heterogeneidade
traz beleza ao mundo. É preciso lançar mão de tolerância, respeito e empenho.
Tudo
isso nos leva a refletir sobre nossa prática parte de uma sociedade e enquanto formadores
de pessoas para viverem nessa mesma sociedade. Você já pensou nisso?

