sexta-feira, 27 de junho de 2014

Para refletirmos

A imagem representa um rosto masculino sendo formado por peças de um quebra-cabeça.


Ao iniciar um ano letivo, nós professores, principalmente em começo de carreira, imaginamos que teremos uma turma com determinado número de alunos, com determinada faixa etária e que estão matriculados e enquadrados em uma determinada série. Pensamos assim, para facilitar nosso planejamento, para padronizar a realização de atividades e o desenvolvimento dos conteúdos, vislumbramos a homogeneidade quando na verdade deveríamos traçar expectativas para a heterogeneidade. Pois bem, ao conhecermos de perto nosso público alvo, percebemos que a turma passa a ser composta de crianças com diferentes feições, reações, intenções, limitações. Percebemos que não estamos lidando com uma turma padronizada, ou com modelos pensados ou criados por nós ou pela sociedade. O problema não está em despertar para as individualidades, não. O perigo surge quando começamos a olhar para determinadas limitações ou peculiaridades como se elas, por si só, representassem aquela pessoa. O perigo está em olhar para a parte, sem antes compreender o todo.
Quando nos dispomos a educar, precisamos aceitar os sujeitos e suas subjetividades, suas deficiências e suas potencialidades, suas qualidades e seus defeitos. Se recebemos um aluno cego, por exemplo, antes de tudo, é imprescindível olharmos para aquele ser humano como uma pessoa que vive em uma sociedade, que possui uma família e amigos, que estuda numa instituição e que tem desejos e sonhos. A partir desse reconhecimento, podemos iniciar nosso trabalho educativo levando em consideração a sua cegueira.
O ser humano, infelizmente, gosta de se sentir melhor que os outros ao seu redor apontando suas incapacidades. Muitas vezes, apontamos os defeitos dos outros para nos sentir normais com nossas falhas. Dificilmente destacamos as qualidades das pessoas. Porque apontar o que o outro não pode fazer, antes de perguntar o que ele tem a oferecer? Porque temos que ser assim?
O trabalho com inclusão, principalmente no Atendimento Educacional Especializado, exige uma postura que não pode seguir essa linha. Nosso pensamento deve ser justamente o oposto. A família, a comunidade e o próprio aluno já sabem qual a sua limitação, então uma de nossas funções é fazer com que todos eles percebam as potencialidades e qualidades dele. Isso muda a visão da sociedade e do próprio aluno para com ele.

A imagem representa uma peça de quebra-cabeça rosa sendo encaixada nas demais de cor roxa, porém de forma correta.


É preciso apagar de nossas mentes os modelos idealizados que compõem nossas expectativas. Abrir mão de vislumbrar “alunos perfeitos” e aceitarmos que somos seres singulares, compondo um “todo” heterogêneo. E que essa heterogeneidade traz beleza ao mundo. É preciso lançar mão de tolerância, respeito e empenho.

Tudo isso nos leva a refletir sobre nossa prática parte de uma sociedade e enquanto formadores de pessoas para viverem nessa mesma sociedade. Você já pensou nisso?